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 Blogs Legais - 16/jan/08 a 23/jan/08


 
 
PONTES DISFARÇADAS


Às vezes acredito

Somos inundados com demonstrações grotescas de superficialidade.

Vai-se criando uma crosta na epiderme para impedir nosso desmoronamento.

Restamos blasé.

Não se fura essa proteção.

Não é possível acariciar a membrana da alma.

Tornamo-nos normais para viver o previsível e controlável.

Utopia!

A lâmina afiada sem licença nos descasa de repente...

Com o tronco à mostra, passamos a sentir.

E demonstrar!

...

Morro do Socó.

Antes do deslizamento, uma das três crianças poderia correr.

Voltou.

Abraçou os demais irmãos.

 



Escrito por Vlad Suato às 12h08 AM
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Alcachofra

Outro dia resolvi trazer amigos pra minha casa. Estava às voltas com meu aniversário e, como dizem por aí, “pra não passar em branco”, convidei umas dez pessoas para uma “pizzada”.

Chega um, chega outro, ficou claro que não daria pra esperar todos chegarem pra oferecer alguma coisa. Servi, portanto, uns aperitivos... O primeiro chegou lá pelas oito e meia da noite, momento em que demos início às comilanças e às bebidas.

Um amigo e sua namorada engajada num regime maluco foram os primeiros a protagonizar situações inusitadas. Ele só bebe vodka e ela, em plena tentativa de redução de peso orientada por uma revista popular, só podia tomar vinho tinto e comer batata ou mandioca frita. Pelo menos ela trouxe um vinho...

A vodka eu tinha, mas as batatas e mandiocas não! Já comecei a me preocupar...

Pela casa, pra me exibir, tinha deixado o cardápio de uma pizzaria elitizada aqui da região. Havia pizzas incrementadas, como a de alcachofra.

A festa rolava, mas não chegavam todos os convidados e eu não podia pedir as pizzas. O povo comia os queijinhos, torradas, patês, salames...

Finalmente, lá pelas onze, chegaram os últimos convidados e já estava autorizada a pizza.

Naquele momento, no entanto, pensei que as pizzas estariam dispensadas. Quase meia-noite, todos levemente alterados pelo álcool, altos papos, evidentemente que não havia fome...

Timidamente, perguntei:

- E as pizzas?

Em coro, surpreendentemente, os pedidos foram feitos. Pegaram aquele cardápio perdido nas mesas e começaram a escolher as mais interessantes e, justamente por causa disso, as mais caras.

Anotei os pedidos, ainda em estado de choque, e fui ao meu quarto ligar para aquela pizzaria. Havia, ainda, um detalhe: um casal vegetariano que escolhera a pizza de alcachofra, folhada a ouro pelo que se deduz do seu preço.

Enquanto um dos convidados fazia uma lambança na cozinha tentando trocar o galão de água do bebedouro, ouvi a atendente da pizzaria me passar os preços das massas escolhidas. Que susto!

E agora, como sair dessa?

Levando em consideração o estado alterado da clientela, dei uma de esperto, mudei de pizzaria e fiz um pedido, digamos, genérico. Só pra ressaltar, no lugar da pizza de alcachofra pedi uma pizza de milho com catupiry.

Toca o interfone e lá vou eu com a maior cara de pau buscar as pizzas.

Ao servi-las ruborizei. Uma delas tinha nada menos que umas duas latas de milho em conserva nadando sobre míseros pedacinhos de “mussarela”.

Pra piorar, alguém pergunta:

- Não tinha aquela de alcachofra?

Na lata, eu me saí com essa:

- Tive de mudar de pizzaria até encontrar uma que pudesse entregar batatas fritas.



Escrito por Vlad Suato às 11h48 PM
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