FESTA À FANTASIA
Grudei na minha irmã e fomos juntos a uma loja de cosméticos. Diga-se de passagem, não era lá aquela loja de cosméticos, mas apenas uma loja de cosméticos que tinha até produto de um e noventa e nove. Meio acanhado, fui logo perguntando se havia batom vermelho, à lá Marylim Monroe. Não é que tinha o danado. Na ocasião, aproveitei pra comprar um negócio de passar no rosto e me deixar branco feito papel. Essa era a intenção, pelo menos.
À noite, o grande dia, ou melhor, a grande noite, chegara a festa exaustivamente anunciada por uma amiga. Foi mais ou menos assim o convite:
“Meu primo conheceu uma garota muito interessante pela internet e ela está organizando uma festa que será a ‘coqueluche’ do momento. Ela é aparentada de não sei quem e amiga de um outro importante. A festa promete. Talvez tenha até a imprensa e coisas do tipo. Será em São Paulo. Tenho convite pra mais uma pessoa. Quer ir com meu marido e eu?”
Naquele instante me lembrei da capa de vampiro que havia usado há muito tempo. Por onde andaria aquela peça importante de meu vestiário “juvenil”? Revirei o guarda-roupa e a encontrei toda amassada e linda; preta com forro vermelho; gola alta; cetim.
Convite aceito; faltava-me o glamour e por isso me entreguei aos cosméticos.
Contrariadíssimo, o marido, depois de um dia exaustivo de trabalho, submete-se à condição de motorista do Drácula e sua vítima, rumo a São Paulo.
Girando pra cá e pra lá, à procura dos holofotes que iluminariam a entrada de tão grandiosa e fantasiosa celebração, restou-nos apenas a luz de um poste em frente ao número que indicava problemas além daquele portão de latão...
Ao acionar a campainha surge o primo, que só ali descobri que assistiu os flinstones na infância. Recepcionou-nos com um “oi, Fred, onde está a Wilma?”.
Por aquele corredor revestido com lajotas que dava acesso ao fim do, ou melhor, ao fundo da casa, encontramos uma sala recheada de crianças coordenadas pela Fiona, que naquele momento descobri ser a amada internética do Barney.
Além das crianças, as fantasias resumiam-se a um motorista bravo, a uma vítima amedrontada, à noiva do Shrek, ao Barney e a um bobo...
E não é que ainda havia um bendito concurso de fantasias? Quem venceria o filho adolescente da dona da casa? Além de participar da população votante, fui obrigado a ouvir o discurso da dona da festa, dizendo que não achava certo anunciar a vitória de seu filhote...
De quinze a vinte minutos depois, estávamos no caminho dos bandeirantes de volta a Campinas quando, de repente, ouço a reflexão da minha amiga:
“Gostei da festa! Pelo menos ganhei um voto pela fantasia.”
Infelizmente, tive de me vingar:
“Eu votei em você”.
Escrito por Vlad Suato às 11h48 PM
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DESSOLIDARIEDADE
Outro dia Zequinha tava numa leseira... Sem vontade de ir pra canto algum. Catou sua máquina do tempo e deu um pulinho no futuro. Resolveu conhecer como seria o sistema carcerário daqui a uns quinhentos anos.
Programou o veículo e foi pra meados do ano de 2500. Ao chegar encontrou um dos seus descendentes. Engraçado que nem filho tinha, mas pelo jeito virão...
Por total falta de criatividade, o cara também se chamará Zequinha!
Conversa vai, conversa vem, vieram as explicações:
Zequinha de lá:
- O direito penal mudou muito desde o seu tempo... Hoje em dia os problemas mudaram e acabaram-se os tempos da barbárie. As pessoas não matam mais por fome ou roubam pra ter esse ou aquele bem. Agora, o que pega mesmo são os sentimentos, as relações humanas afetivas.
Zequinha daqui:
- Não estou entendendo esse negócio. Se as pessoas não matam e não roubam, o que poderia levá-las à prisão? Pra que direito penal?
Zequinha de lá:
- Caro Zequinha, seja visionário. Vamos visitar uma prisão, isso o ajudará a compreender.
Ao contrário do que vemos nos presídios atuais, fechados por grades, Zequinha surpreendeu-se ao chegar num enorme descampado onde havia muitas pessoas, as quais lhe disseram ser os prisioneiros. Entretanto, parecia estranho, eram prisioneiros mas estavam livres. Mais estranho é que estavam livres e não se conheciam, não se inter-relacionavam. É como se estivessem sozinhas. Quase se esbarravam, mas não se viam.
De início, Zequinha pensou que pudessem estar cegas. Logo percebeu que enxergavam naturalmente com os olhos, mas umas não se reconheciam nas outras. Coisa muito assustadora. Zequinha manteve-se quieto, à espera paciente das explicações que poderiam ajudar a decifrar o mistério.
Zequinha de lá:
- Sei que não está claro pra você, não é? Aproxime-se que vai entender.
Vagarosamente eles se aproximaram do grupo mais próximo e o Zequinha daqui atentamente observava.
Era um grupo formado de cinco pessoas. Todas condenadas. Uma delas teria aproximadamente cinqüenta anos, pela percepção de um Zequinha dos dias de hoje, outras todas com idades que pouco variavam, mas não passavam de trinta e poucos anos.
Zequinha daqui observou, observou e não agüentou:
-Qual a condenação dessas pessoas?
Na verdade, ele estava curioso para saber em qual condenação era possível enquadrar aquelas pessoas, já que não há a tipificação que conhecia.
- Só há um crime a ser punido neste tempo, é o crime da dessolidariedade.
- Dessolidariedade? O que é isso? Que palavrão é esse?
- Nos últimos quinhentos anos, com os problemas climáticos que começaram a se agravar no ano 2000, muitas desgraças assolaram o planeta. Todos os bens materiais foram perdidos e a população mundial teve de começar praticamente do zero. É evidente que não foi um dilúvio ou algo parecido. Houve perdas materiais mas a raça humana não foi dizimada. A tecnologia que despontava à época ajudou a superação daquele período e o recomeço foi feito por meio de um pacto global. Após muita vivência, o homem passou a perceber que o estopim de todo o problema vivido deu-se em função de um grande problema individual que tomou a força capaz de quase acabar com o ser humano.
Zequinha daqui prestava atenção, mas as indagações eram muitas:
- Qual problema é esse? Já existia no meu tempo, em 2007? - Sempre existiu na humanidade... Só em 2300, mais ou menos, após muitas catástrofes, muitos embates com a natureza, é que começamos a compreender. O problema todo se resumia a um sentimento que não cuidado no momento e de maneira adequada, acaba tomando conta de todo ser humano: um negócio chamado egoísmo. O egoísmo leva o ser racional às vias de fato para conseguir o melhor para si e, no máximo, para os seus. Não há uma visão de grupo.
E continuou o Zequinha de lá:
- Essa característica é nítida na infância. Pode-se observar que a criança quer o seu brinquedo, as suas coisas. Com a instrução para vida em sociedade, esse sentimento deve ser dominado, a fim de que se possam viver em grupo. Porém, nem todos estão preparados para educar e, às avessas do devido, oxigenam essa característica, esse egoísmo, na infância e, o qual em grandes proporções quase destruiu a humanidade. Nos livros de história, cheguei a ler que no seu tempo existia um presidente que sequer assinou um protocolo internacional para tentar diminuir o efeito estufa. Soube ainda que havia até quem se utilizasse de trabalho escravo. E mais, que desprezavam minorias e grande número de pessoas passavam fome... Quando se descobriu isso tudo, os sábios reuniram-se e depois de anos de estudos organizaram a sociedade de forma a zerar, por bem ou por mal, esse sentimento que parece nascer com o ser humano. Isso ainda não se descobriu, se é genético ou não.
Zequinha daqui tentava compreender.
- Egoísmo, egoísmo, tudo bem... Mas e esse sistema prisional, o que é isso que estou vendo? Não há grades, não há guardas. As pessoas são livres e não vão embora? Por que ficam? O que fizeram?
- Preste bem atenção nesse grupo que está à nossa frente. São cinco pessoas. Aquela mais adulta passou maus bocados pela vida. Começou a defender-se da vida muito cedo. Teve seus problemas com os pais e com o marido, além de muito problema de dinheiro; mas o que atravancou mesmo o seu desenvolvimento foram as pessoas que a impuseram a condição de menos capaz quando a descobriram sensível. Toda vez que ela demonstrava certa sensibilidade diante da vida, foi-lhe impingida a pecha de fraca. O seu cérebro leu aquilo como defeito e nunca mais conseguiu demonstrar afeto. Ela colocou-se uma muralha invisível e afasta rispidamente a todos que se aproximam. Esse caso foi muito estudado pelos juristas destes novos tempos e descobrimos que não podemos tolerar o comportamento que, mesmo sabendo das causas, pode tornar-se efetivamente egoísta e destrutível para a humanidade.
Zequinha daqui:
- E qual a condenação?
- Ela foi condenada pelo crime de Dessolidariedação. Veja só. Ela tenta, por conta de seus problemas pessoais, afastar-se das pessoas. Esse comportamento faz com que não perceba a presença do outro capaz de lhe auxiliar no desenvolvimento pessoal e emocional e a impede colaborar com os necessitados, uma vez que sempre os enxerga como ameaça, com alguém que vai descobrir que é fraca.
- E essas outras pessoas do grupo, o que fazem aqui? São os algozes?
- Não, muito pelo contrário. Também são todos condenados pelo mesmo e único crime: Dessolidariedação. São pessoas mais jovens, como pode perceber. Têm um bom desenvolvimento do sentimento de solidariedade, entretanto, o egoísmo impera quando se vêem ao lado daquela outra condenada. Aflora o egoísmo a ponto de fecharem todos os canais de relacionamento. Em conseqüência, acabamos por ter cinco pessoas que perderam as oportunidades, em convivência social, de aprimorarem o relacionamento interpessoal. Por isso, foram julgadas e condenadas a viver aqui, até a ressocialização, expurgando o egoísmo e exercitando a solidariedade. Em síntese, as quatro pessoas mais jovens precisam dar alguma oportunidade de convivência com a pessoa mais velha que, sem sombra de dúvida, apesar do muro que criou, tem muito a ensinar. A pessoa mais velha, por sua vez, precisa baixar a guarda e descobrir que ninguém quer lhe pressionar, querem apenas relacionarem-se para usufruir do melhor que a vida em grupo pode oferecer.
- E por que não vão embora, se não há muros?
- Isso é algo que o seu povo vai descobrir só no futuro. Há um conhecimento no subconsciente que as prende. Tudo isso que eu falei pra você todas as pessoas do grupo sabem, mesmo que inconscientemente, daí não se vão. Prendem-se, até o conhecimento necessário chegar. Assim que esse nó é desatado, as pessoas se solidarizam, uma entende a dificuldade da outra e todos se apóiam. Automaticamente se vão. Tudo é natural.
Zequinha daqui montou na sua maquineta e voltou...
Escrito por Vlad Suato às 11h20 PM
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CURTAS, BEM CURTAS, OUTRAS NEM TANTO
1) Dez graus negativos afetam a inteligência?
Estávamos no último andar da Torre Eifel. O frio travava os ossos. Finalmente lá estava o elevador. Hora de partir. A colega de viagem ao ascensorista:
- Desce?
2) Rolante funcionando, rolante desligada.
Na estação havia duas escadas rolantes, uma seguida da outra, distância mínima. A primeira que se via estava desligada, mas a pressa do momento fez um colega de viagem com as malas nas costas enfrentar o desafio e descer, sem titubear, todos aqueles degraus firmes como rocha. Ao se perceber que a escada posterior funcionava, alguém bradou:
- Vamos à próxima escada.
O colega subiu os degraus imóveis e desceu na próxima rolante...
3) Aeroporto Charles de Gaulle
Ser efetivamente analfabeto numa língua desperta a necessidade indescritível de se falar qualquer coisa. Estava visitando uma igreja quando ouvi alguém delicadamente dizer:
- Excuse mua!
Respondi:
- Charles de Gaulle.
4) Photomaton
Pra se andar tranquilamente por meio de transporte público, resolveu-se adquirir uma tal cart orange. Um tipo de bilhete único.
Problema: foto 3x4.
A minha foi daqui, mas uma companheira utilizou-se daquelas máquinas que produzem fotos instantâneas. Depois de muito ler as instruções na língua nativa e apertar os botões, enfiou a moeda.
- Cadê a foto? Nada acontece? – Disse a pessoa virando-se pra lá e pra cá.
Surpresa: saiu um pôster. Foto tipo passaporte com a coitada de perfil.
5) Mulher prevenida vale por duas... Ou não.
Uma amiga resolveu carregar diariamente um guarda-chuva, a fim de não molhar inesperadamente os belos caracóis. Certa hora, lá veio aquela garoinha gelada. Em uníssono:
- É a hora e a vez do guarda-chuva!
- Não vou pegar pra não ter de guardá-lo molhado.
6) A Puxa.
Outro dia, pra puxar o saco de um cara, disse certa pessoa:
- Já lhe falaram que você parece o Celton Melo?
Ele responde:
- Mas meu nome não é Jhonny.
Pândego.
7) Cantada
Agora vou sair da solidão. O que me faltava era uma cantada brilhante para arrebatar a vítima. Meu amigo me aconselhou:
- Diga ao pé da orelha: você está esperando ônibus? Vão perguntar: por quê? Aí você arremata: porque você está no ponto.
8) Gema sem clara
E outro dia uma colega, a pedido da irmã, fez um bolo para comemorar o aniversário de um amigo. Bolo no forno, percebeu que deixou as benditas claras em neve descansando... Sem dúvida, tirou o bolo e acrescentou as claras. E o bolo? Ficou ótimo.
Posso imaginar.
Escrito por Vlad Suato às 04h51 PM
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E A VEZ DOS FRACOS?
Enquanto ficamos por aí, à procura daquilo que nos foi tirado, perdemos muitas outras coisas pelas portas descuidadamente abertas. Talvez isso seja um lugar-comum, mas por ser comum deve ser a verdade alcançada pela conclusão de muitos após o curso da vida.
Não é preciso assumir ser comum pra poder pensar nisso. Diga por aí que quem diz isso está utilizando-se de velhos clichês, mas no escuro, escondido, reflita e, finalmente, feche as portas antes de perder suas oportunidades pelos vãos.
O que foi tirado já foi. Se não é possível reaver, pra que desejar? Desejar é bom o novo, o possível. Como diria outro lugar-comum, não se tira o que não se tem. O que se tem é apenas material, o imaterial e importante não se tem, sente-se.
Grandes atrocidades do mundo atual estão ligadas às drogas que trazem o prazer aos que abusam e dinheiro aos que se lambuzam do sofrimento da alma inquieta em busca do concreto naquilo que só existe no abstrato... E muitos buscam no além de si o que só se poderá encontrar no seu próprio íntimo.
Tudo óbvio.
Não é fácil ver o óbvio; às vezes o óbvio não chega a ser lugar-comum.
É assim que é. A humanidade corre atrás de si mesma, tentando encontrar-se violentamente, chafurdando nos desejos impostamente proibidos pelos ditos corretos, até que um maluco e violento qualquer, solto por aí, pode fazer tudo que bem entender, desde que para isso somente decida fazer. Daí os fracos não têm vez...
Tranque a janela.
...
São idéias confusas e entrelaçadas, despontadas quando assisti ao filme vencedor do Oscar deste ano: Onde os Fracos Não Têm Vez.
APAGUEI SEM QUERER OS COMENTÁRIOS
Escrito por Vlad Suato às 04h50 PM
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PARMESÃO RALADO
Quando criança, não sabia que o substantivo sopa poderia estar engatado em adjetivos. Ouvia somente, algumas vezes, pra ter cuidado com a sopa quente.
O tempo seguiu e descobri outros caldos, de aspargos, verdes, de ervilha, e, como a sopa, descobri que as pessoas também poderiam ter suas qualidades; umas queridas, outras nem tanto, umas amadas, outras nem tanto, e uma pessoa, apenas uma de cada vez, apaixonante.
Ando com saudades da paixão que chega à sorrelfa e instala-se. Melhor é saboreá-la. Pobre de quem não sentiu esse gostinho.
Sim, eu me apaixono. Ufa! Como me apaixono!
Solidão insiste, porém. De tantas, quase uma dezena, não me embriaguei. Não a esgotei, não a entendi, não a traduzi e vivi pouco demais.
Disse um existencialista por aí que relacionamento tem fim certo, a não ser que um seja totalmente dominado e abafado pelo outro ou, ainda, caso duas pessoas maduras convivam racionalmente, sem que haja concessões.
Sábio?
Quem sabe se não fôssemos humanos e sim exatos, poderíamos viver intensamente o roteiro de nossas vidas pré-contratado, sem sofrer. Mas tão frágeis e talvez finitos, o que podemos fazer a não ser viver a humanidade com todas as suas ilusões, sonhando com a paixão, com a vida eterna, com o perdão e com a possibilidade de recomeçar?
Que delícia ser humano!
A sopa daquele tempo tinha legumes, tinha carne, tinha cebolinha que minha mãe teimava em refogar com os demais temperos. Hoje tento convencê-la de que a cebolinha deve ser colocada com a salsinha ao final pra ficar mais gostoso, mas não consigo...
Escrito por Vlad Suato às 12h08 AM
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PIZZA TAMBÉM SAMBA
Não sei que lá picture.
Depois das minhas cervejinhas, no meio daquela barulheira, demorou pra entender a mocinha, não sei de onde, querendo tirar uma foto minha. Talvez ela não tivesse percebido que a fantasia era de gafanhoto...
Com sorriso para todos os lados, decidi gastar meu inglês, arrogantemente:
- Where are you from, Baby?
- Israel.
De repente, ao caminhar pelas marginais da Sapucaí, atrás das arquibancadas, ouvi uma gritaria. Seria de espanto com a minha borda de catupiry à mostra?
Pela foto no site da escola, eu entendi que a barriguinha ficaria escondida pela verde caracterização do gafanhoto, mas na hora do “vamos ver” perguntei:
- Esta é a calça e cadê a camisa?
Em coro, os algozes responderam que não haveria camisa. Estava perdido. Com meu corpinho branco-escritório, com a borda de catupiry insistindo em circundar minha cinturinha, teria de entrar na avenida do samba entre aquela gente bronzeada que não perde a hora de mostrar seu valor.
Não, os gritos, ainda bem, não eram de espanto. Na minha frente seguiam estrelas globais, com seus seguranças... Não vi direito quem...
- Picture?
Outra vez?
Eu virava, botava as asas do gafanhoto pra frente, segurava a respiração, tudo pra disfarçar a amada borda... Em vão...
Usei de novo meu english:
- Where are you from?
- Argentina.
Por que será que a pessoa me abordou em inglês?
A fantasia tinha nada menos que treze partes entre joelheiras, caneleiras, cotoveleiras, ombreiras, costeiro, capacete... Só não tinha camisa!
Uma amiga foi buscar a fantasia pra mim e resolveu achar que a calça, do meu número, QUE EU HAVIA RESERVADO, não caberia em mim. Sem conseguir falar comigo pelo celular, deu a sentença: ele precisa de GG. Eu uso calça número 42, daí já dá pra imaginar o que rolou, ou melhor, o que quase caiu na passarela. Amarra que amarra e estou eu quase de saia. Por pouco, não me candidatei à ala das baianas.
Falando em ala, quem disse que eu encontrava a nuvem dos gafanhotos? Procura daqui, procura dali, nada de gafanhoto. Na concentração, parei junto a um pobre gafanhoto, desprezado como eu.
Aos poucos, aparecia um e outro e nos juntamos na calçada, até que a escola começou a entrar na Avenida e abriu-se um buraco pra gente se enfiar.
Meus amigos sumiram. Uma subtraiu-se às vistas alheias, como se fosse possível, rumando ao centro da ala, mas eu sei o motivo disso: ela não sabia o samba-enredo. Outro se entregou às vistas alheias, sentia-se o rei dos gafanhotos e foi pra perto do público exibir-se...
Era a penúltima ala, atrás de um enorme carro alegórico. Sambava feito um carioca, ou quase, quando percebi uma amontoação dos frágeis gafanhotos.
Os insetos começaram a sambar pra trás, tipo as passistas também de escritório. Eu não sabia se segurava a calça ou engatava a marcha ré também. Olhei pra cima e percebi que aquele baita caminhão estava voltando. Entendi que era um momento tenso, algo errado no reino, vamos cantar e distrair a galera da arquibancada. Não adiantava. Depois de uns dois ou três trancos, o caminhão seguiu e levantou uma fumaceira danada. E os verdinhos esbaldavam-se com aquele efeito especial...
Feito Boi Garantido (um dia ainda vou pra lá), minha pele foi se avermelhando, por conta tanto das ombreiras quanto das cotoveleiras e, principalmente, daquele costeiro que furava sem dó as minhas costas.
Acabou. Posso parar de sorrir. Posso desapertar minha cabeça. Posso tirar a calça...
- Picutre?
Eu mereço.
- Anda logo menina que a coisa tá feia.
Lá fui eu de novo com minha curiosidade.
- Where are you from?
- Israel.
- Ãh?
- Israel.
Não é possível.
Assim e assado, mas tudo valeu a pena, pois é festa, é carnaval, é o Rio e é o meu Brasil, com tudo de bom e de ruim.
É minha gente... E como eu gosto d’ocês!
Escrito por Vlad Suato às 12h19 AM
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PREVISÃO: MICO FEDERAL
Nos últimos dias conheci uma pessoa especial. Tem gente que aparece na nossa vida e em segundos tornam-se importantes. Fizemos um curso há algum tempo, mas não me lembrava dela. Num encontro, dos amigos do grupo, acabamos por nos aproximar.
A moça é toda engajada e tem amigos pra todos os cantos deste Brasil danado. Assim que soube da entrevista dada para o Fantástico, alucinou. Saiu contando pra todo mundo: amigos, amigos dos amigos, inimigos, jornalistas, parentes, vizinhos, síndico... O pior de tudo é que eu disse pra ela que iria ao ar no domingo de carnaval, no quadro Bola Murcha, já que isso é o que eu havia entendido da conversa com a produtora do Fantástico, por telefone.
Agora ela me aperta:
- Não passou, o que vou dizer pra todo mundo?
Uai! E eu é que sei? Vamos aguardar as notícias.
O importante é que este carnaval tá me cheirando a mico de grande monta... Não havia planejado folia, iria descansar calmamente na casa dos meus pais, mas com a notícia bombástica que minha crônica seria contada pelo Show da Vida, animei-me e armei tudo pra desfilar amanhã, na Grande Rio.
Estou meio atrapalhado com o samba-enredo e meus amigos estão no Rio e não conseguiram pegar a fantasia. Segundo eles, é grande e pesada. Não sei como vamos fazer pra levar até o Sambódromo. Não cabe no táxi!
Ai! Ai! Ai! Ai! Como diria Vanessa da Mata!
No fim, quem vai ganhar com isso são os meus textos...
Aguardem o relato!
msn: vladsuato@hotmail.com
Escrito por Vlad Suato às 10h26 PM
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SHOW DA VIDA
Dia cinza em pleno verão. O tempo anda mesmo meio maluco! Final de janeiro e faz frio aqui em Campinas, ao cair da tarde... Bucólico!
- Vlad, telefone.
- Alô!
- Eu estou procurando um tal de Vlad que escreve num blog. É você ou é caso de homônimo?
Ora! Ora! Que se passa?- Penso eu.
- Sou eu mesmo, por quê?
- Aqui é da EPTV (TV regional) e estava te procurando a pedido da produção do Fantástico para uma entrevista.
Quase que respondo: e eu sou o Papa Bento XXXIII...
Pelo sim, pelo não, passei meus telefones.
Estava eu no meu lugar, vieram caraminholas a me incomodar: você é ridículo, caiu no trote dos seus colegas! Você é bobão...
- Vlad, telefone.
- Oi, Vlad, estou aqui no Rio lendo sua crônica sobre o mico que pagou com sua fantasia no desfile de São Paulo. Você poderia contar a história para o Fantástico?
Não vacilei:
- Claro que sim.
- Vê se consegue os restos de sua fantasia e chame a amiga que desfilou com você pra fazer parte do papo.
Evidente que não ia dizer que minha fantasia estava lá na casa dos meus pais, esperando um fim digno, já que havia testemunhado grandes emoções...
- Sem problema.
- Daqui a pouco a TV local vai agendar com você.
...
Isso tudo deve ser trote. Convoquei uma reunião de emergência com os colegas de trabalho e decidimos averiguar. A estratégia era ligar no telefone dado para contato. Não sabia, até aquele momento, que um dos meus colegas era pândego de marca maior:
- Alô! É da Blockbaster?
- Não, aqui é da EPTV.
Não me perguntem da origem de tanta inspiração: Blockbaster!
...
- Vlad, telefone!
- Gostaria de marcar a entrevista para amanhã, às nove da noite. Tudo bem?
Claro que tudo bem, seria maluco de perder meus segundos de fama? Mas e a fantasia? Eu não contei pra vocês, mas meus pais moram a quase seiscentos quilômetros de Campinas. Correio não dava tempo. Transportadora não dava tempo. Apelei para minha irmã.
- Você precisa vir pra Campinas com urgência. Se não for trote, a minha crônica vai rolar no Fantástico.
De lá veio a coitada. Pegou o busão às oito horas da matina e chegou aqui no fim da tarde.
...
Liguei para parceira de passarela:
- Chris, onde você está? Vamos para o Fantástico!
- Estou em Ilhabela!
Putz, tô sozinho nessa empreitada.
...
Quase tudo certo, convoquei dois amigos para pensamos numa estratégia para evitar imprevistos.
- E se forem bandidos? Essa entrevista à noite está muito estranha... E ainda vai ser no seu apartamento.
Depois de tanto matutar, bolamos um plano. Uma amiga ficaria no quarto, com o celular. Para qualquer eventualidade era só discar pra polícia.
Tomamos um vinho enquanto aguardávamos o desfecho. Os quatro patetas na sacada quando de repente um carro parou e desceu o cara com a câmera. Meus pés gelaram, não demais por conta do esquentamento providencial do vinho.
Disfarçamos e forjamos uma cena de total segurança e calmaria.
- Olá, tudo bem?
- Tudo.
- Você é o Vlad?
- Sim.
Papo vai, papo vem, contei toda a minha história. Os amigos ficaram atrapalhados e não se esconderam no quarto... Se fosse um ataque terrorista, seria o nosso fim.
Minha irmã, depois que a repórter saiu, rachou o bico de tanto rir, disse que até rodei feito baiana do carnaval na entrevista.
O que me resta agora é esperar e ver o mico em rede nacional, caso tenham coragem de colocar no ar...
Obs. A crônica objeto de tanta euforia chama-se OS MICOS NÃO CONTADOS DO CARNAVAL. Para encontrá-la, clique aqui http://pontesdisfarcadas.zip.net/arch2006-03-19_2006-03-25.html. Meu msn é vladsuato@hotmail.com
Escrito por Vlad às 02h16 PM
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BANANÊ
Estávamos na primavera do último ano, quando ouvi pela primeira vez:
- Quero ir de táxi ao balé... Não sou palhaça de ir de salto caminhando pelas ruas geladas de Paris!
E o dia chegou. Em Paris, nas ruas geladas:
- Gente, não é preciso andar de táxi em Paris, o transporte público é de qualidade e, além do mais, estamos ao lado de uma estação de metrô.
Depois da negociação, o amigo-guia-intérprete convenceu a amiga-japa-salto a ir caminhando até a estação de metrô para chegarmos à famosa Ópera Garnier, uma casa de ópera em Paris.
Trinta e um de dezembro de 2007. Lá estava eu no meio daquele povo embecado, eu também embecado, uai, e emocionado com a beleza da arte posta à prova.
A bailarina, ao final, teve de voltar não menos que quatro vezes para receber os aplausos do público embargado pela emoção trazida sobre sapatilhas...
Por ora, poucos incidentes, a não ser a amiga-da-amiga que, desavisada, quase deixou o teatro ao terminar o primeiro ato, tendo a certeza do fim já apresentado:
- Foi lindo, não foi?
- Ei, maluca, ainda não acabou...
Mal sabia eu, os problemas apenas começavam, a magia e a beleza parecem deixadas na escada do teatro, com o banho frio das atrapalhadas.
- Agora vamos pegar o táxi até a Champs-Élysées, de lá poderemos ver os fogos? – disse a amiga-japa-salto.
- Gente, não é preciso andar de táxi em Paris, o transporte público é de qualidade e, além do mais, estamos ao lado de uma estação de metrô. – repetia o amigo-guia-intérprete.
Depois da negociação, o amigo-guia-intérprete convenceu a amiga-japa-salto a ir caminhando até a estação de metrô.
Muitos caminhos se entrelaçavam até se avistar a plataforma da linha correta do transporte público de qualidade.
Uma grande quantidade de pessoas felizes e tocadas pela alegria assustadora da redenção que atinge as almas no último dia do ano aparecia. Faltavam poucos minutos pra se fazer tudo que não estaria nas promessas e esperanças do ano novo limpo, tal qual o paraíso, à espera de arrependidos. Havia tempo de pecar, não menos que uma hora, mas havia tempo...
Multidões se amontoavam na estação quando se observou que o trem estava parado. A impressão é que havia partido e abruptamente interrompido seu trajeto. A explicação logo apareceu pelas vozes de policiais que deixavam os vagões embrenhados na escuridão do túnel.
- Houve incidente com um passageiro, mas logo o problema será solucionado.
O amigo-guia-intérprete resolveu esperar.
Os amigos-interpretados-estupefatos, inertes e aterrorizados com a idéia de que poderia se tratar de uma ameaça bombástica, esperavam a ordem para dispersar.
Dos corredores que levavam àquela plataforma, dezenas de pessoas chegavam e se amontoavam à espera do metrô que naquela noite tinha passagem grátis.
Finalmente, muitos policiais deixaram os vagões com arma em punho e determinaram que a estação fosse esvaziada. Com a ordem dada, enfileirávamos nas escadarias.
Fora, livres, ouve-se.
- Vamos pegar um táxi?
- Estamos em cinco, é muito difícil o táxi e a Champs-Élysées está interditada.
Depois da negociação, o amigo-guia-intérprete convenceu a amiga-japa-salto a ir caminhando. Os demais acompanhavam.
Cada vez a passos mais curtos, o tempo passava mais rápido. Não havia quem fizesse a japinha acelerar a caminhada com aquele monstruoso salto que realçava a beca necessária ao balé. O guia, sem poder deixar os pobres francesamente analfabetos, esgoelava-se a convencer que pouco faltava ...
- Só mais uns minutinhos...
Resolveu-se ir até o Champ de Mars, de onde se veriam perfeitamente os fogos. Cem metros pareciam quilômetros para aqueles saltos.
Meia-noite em ponto.
Chegamos.
Entregamo-nos a um banco de ponto de táxi e dali vimos fogos, os quais nada impressionam quem já os viu em Copacabana.
Ali fizemos a festa, como todo bom brasileiro. Comecei a ouvir um tal de “bananê” pra todo lado. Que seria isso? Entrei na onda:
- Bananê pra você também... E pra você também... E também pra você...
Meia-noite e meia, não se viam muitos festeiros.
Disse a amiga-japa-salto:
- Agora vamos pegar o táxi até o hotel.
Rendeu-se o amigo-guia-intérprete, depois da odisséia anterior.
No entanto, cadê o táxi?
Ficamos de uma até as quatro horas da madrugada tentando pegar táxi pelas ruas de Paris.
Por lá também existe o SAMU (Serviço de Atendimento Médico de Urgência) como aqui em Campinas, deve significar outra coisa, mas na mesma linha. Tem ainda uma de suas derivações, o SAMU SOCIAL. Pensamos em forjar um enlouquecimento pelas ruas, para sermos recolhidos pela Assistência Social, mas melhor não mexer com isso.
Ligamos para o hotel e pedimos para encaminharem um táxi até nós. O atendente foi taxativo:
- O táxi tem de pegar o passageiro no hotel, não pega passageiro na rua.
Ficamos um tempão tentando o atendimento na central de táxi, por telefone, em vão...
O frio apertava.
O deserto se apresentava nas ruas.
Metrô: única solução, se não explodíssemos poderíamos chegar.
Meio morto meio vivo, cheguei ao hotel e capotei.
Pra vocês, feliz 2008, ou melhor, “bananê”, ou melhor, bonne année!
Escrito por Vlad às 08h16 PM
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T I L I N T A R
Visitei meus pais no Natal e a promessa para o almoço era um carneiro assado. Não sou muito chegado no bichinho, mas meu pai ganhou de um colega de trabalho e o que me restava era esperar o bem temperado carneiro.
Às vésperas, saímos pra jantar e chegamos pouco mais de uma da madruga...
Naquele dia, eu estava muito cansado e fui depressa pra cama. Liguei a televisão pra ver se o sono me agraciava, já que isso não é uma tarefa muito simples... Passados alguns minutos, não sei se dormi ou desfaleci, tive a impressão de ter visto um clarão pelo vão da janela. Achei que pudesse vir uma tempestade ou talvez um curto circuito na instalação elétrica. Ouvi minha irmã pelos corredores cochichando com uma amiga que passava a noite conosco, mas sem chance de reação frente ao sono, dormi...
Vocês não vão acreditar na presepada.
Logo após todos se deitarem, minha irmã ouviu alguém caminhando pelo quintal.
Ela ficou quieta até ter a certeza de que tínhamos visita inesperada. Sua amiga saiu-se com essa pérola:
- Não vim da cidade grande pra passar medo neste fim de mundo....
Num ataque suicida, minha irmã pôs-se a bater na janela, feito presos com suas canequinhas nas grades das celas quando querem se rebelar, na esperança de espantar o intruso...
Parou.
Silêncio.
De repente, ouviu-se um tilintar pelo quintal. Minha mãe pensou que o coitadinho do Billy, nosso cachorrinho, tivesse derrubado alguma coisa...
Sussurrando, minha irmã ligou para a polícia que, prontamente, chegou ao local dos fatos... O policial pulou nosso portão e posicionou-se em frente da porta.
As duas patetas, minha irmã e a amiga, abriram a porta e deram um grito de pavor.
- Calma, sou da polícia...
Fez-se a ronda pelo nosso quintal com um farolete (esse era o relâmpago que havia visto antes de desmaiar com tanto sono). Nada foi encontrado.
Seguindo o conselho da minha irmã, a polícia se foi. Não foi lavrado boletim de ocorrência nem acordada a família, já que todos temos problemas com a pressão arterial.
Amanheceu. Acordamos tranqüilos, menos minha irmã que se recuperava de tantas emoções.
Minha mãe recebeu uma visita logo cedo e lá vem meu pai falar do carneiro.
- Ganhei um carneiro, mas não sei muito bem como se tempera...
Blá, blá, blá... Não agüentava mais a saga do carneiro.
Sem mais, meu pai resolveu mostrar pra visita o prêmio tão importante que havia ganhado.
Surpresa: cadê o carneiro?
Ele estava numa geladeira na parte externa da casa e exatamente por lá andou o visitante inesperado...
Pior de tudo, juntamente com o carneiro, sumiu um caixa de cerveja que, pelo que tudo indica, começou a ser degustada por ali mesmo, deixando pelos corredores as latinhas que tilintavam...
msn vladsuato@hotmail.com
Escrito por Vlad às 01h38 AM
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ENSABOA
A máquina de lavar roupas vai bem. Se não descuidar da quantidade de roupa e fizer regularmente a limpeza, é pouco provável que me dê problemas. Trocando uma pecinha aqui e outra ali, pode ser que ela dure muito tempo e fique de herança.
Quanto às plantas da sacada, não tenho a mesma sorte. Deixei-as sozinhas por uma semana e já demonstram abatimento. Por falta de água, como é o mais provável, talvez por falta de companhia, com garantem alguns...
E assim posso continuar por toda vida, regando as plantas e dando a devida manutenção à minha lavadora. Será que essa é a vida simples almejada pelos sábios, como promessa de equilíbrio?
Pode ser.
Pode não ser.
A vida simples está no fazer completo e não naquilo que se faz.
Desejo muita vida a todos em 2008.
msn vladsuato@hotmail.com
Escrito por Vlad às 12h00 AM
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COM QUANTOS PAUS SE FAZ UMA CANOA?
Sei não. Afinal de contas, nunca fui índio muito menos sei nadar. Das águas estou longe...
E em quanto tempo se faz uma amizade?
Às vezes penso nisso.
Sabe aquelas pessoas que em segundos tornam-se amigas de infância? Quantos segundos se passaram até a conclusão: não sei como vivi até hoje sem você!
Do outro lado temos conviventes que nunca se achegam no nosso mais belo...
De quanto tempo precisamos pra identificar almas e nos reconhecermos no próximo, que de tão próximo reflete sua imagem no brilho dos olhos?
Dizem por aí que não se completa uma mão ao contar os amigos... Ouso discordar.
De tempos em tempos conheço um amigo de infância. É engraçado que se conhece num dia e pode-se se relacionar talvez por segundos, mas ficam pra sempre e sempre permanecem importantes.
Há um tempo, morei numa pequena cidade e conheci pequenas, grandes, pequenas grandes e grandes pequenas pessoas. Entre as pequenas grandes, conheci uma que é só coração. É pequena de tamanho, mas o coração gigante foi capaz de realizar a vida por nós dois. Era dela o meu bater de vida em tempos solitários.
Agora, de olhinhos puxados surge uma amiga brava por demais. Nela as emoções são tão intensas que explodem em sua boca como labaredas que queimam e iluminam o caminho, cabendo a cada um fazer o que quiser como todo aquele sol inesperado que faz sucumbir o dia mais cinza...
Ao mesmo tempo tenho o exemplo, com outro amigo, da tão sonhada lealdade. Ser leal pra mim é o mais frágil e o mais sólido de cada ser humano: frágil, eis que humano, sólido, eis que é virtude. A lealdade garante o sofrer digno nos braços do amigo que sente a sua vida por um fio e a embala, mascarando a angústia do saber-se finito.
Tenho coração, luz e lealdade.
Nada mais quero neste Natal.
Perdi todos os emails cadastrados, por favor, mandem novamente e ajudem-me a lembrá-los de me lerem.
Meu msn vladsuato@hotmail.com
Escrito por Vlad às 12h56 AM
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TÔ
Entre os passos, sentiu o mais forte. Foram seguidos, pra qualquer direção...
Seguiu o som dedilhado das cordas do coração livre.
Em pouco, o caminho foi um só.
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