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Pontes Disfarçadas
 


SOB A LUZ DO CARNAVAL

Carnaval instiga-me.

O sangue brasileiro há que sacudir quando se fala nessa festa de gente...

E se não sacode? Se em um ano sacode e noutro não?

Melhor não assumir que a cada ano a data me pega de um jeito para não entregar o diagnóstico de alteração desordenada de humor, mas uma coisa é certa, o carnaval tem magia.

Muitas aventuras vividas nessa festa durante os anos trouxeram aprendizagens. Não foram aventuras amorosas, foram momentos de convivência importante com outras pessoas que me levaram a reflexões profundas, por estranho que possa parecer.  Coisa de gente doida...

De uma forma bem humorada, contei esses acontecimentos nas crônicas e republico uma delas a seguir, mas, neste ano, lá vem o carnaval me chamando a atenção para outra direção.

Em um mundo, e principalmente num país, onde dizem que os idosos estão desprestigiados, sendo encarados como estorvos na vida dos mais moços, vejo que o povo, como adoro esse povo, das escolas de samba ovaciona os seus sambistas maiores, aqueles que deram origem e mantêm  a tradição viva.

Graça a Deus, sou brasileiro, e com muito orgulho de nossas fortalezas e fraquezas, como qualquer nação, tive a alma, embriagada de sangue tupiniquim, mais uma vez sacolejada pelo carnaval que põe a velha guarda sob respeitosos holofotes a desfilar nas avenidas do samba.

 

 

Os micos não contados do carnaval - (17-09-2006) - por Vlademir Suato

A nossa Escola, naquela sexta, seria a última a entrar na avenida do samba. Diante disso, resolvemos passar na concentração, apanhar as fantasias e ir direto ao hotel; após um cochilo, rumar ao desfile.

Lá pelas onze da noite, estávamos a catar nossas fantasias e tivemos uma surpresa: ela não cabia no carro porque o seu costeiro (parte da fantasia colocada sobre os ombros) era formado por ferros pontudos de aproximadamente um metro de comprimento. De imediato, mudamos os planos e fomos para nosso programado cochilo.
Trimmmmmm…

O relógio despertou quase três da matina e eu ainda estava sem fantasia.

Os colegas da escola partiriam às três e meia da concentração em direção ao sambódromo… Liguei no quarto ao lado, para minha amiga de desfile e ouvi:

– Vamos desistir, ainda há tempo???

Depois de tamanha superação, não poderia morrer na praia.

– Desistir? Tá louca? Agora vamos de qualquer jeito….

Ao chegar na concentração, vimos que os ônibus estavam com seus motores ligados. Todos os sambistas praticamente enlatados com suas fantasias e nós, calmamente, a procurar os nossos benditos costeiros…

Bem, é hora de falar detalhadamente dos tais costeiros.

A minha fantasia era de “pescador encantado” e o costeiro, como eu disse acima, era formado de vários pedaços de ferro que formavam algo parecido com um leque. Na ponta desses ferros era enganchada uma fina corda de náilon, recheada de bolinhas, não tão pequenas, de isopor. Aos lados dos ombros caíam as bolas e dava-se a impressão de uma rede… Aí morava o perigo porque realmente formava uma rede e o peixe, no entanto, era eu.

Ao formar a ala, fui percebendo que a minha “rede” estava apta a enroscar em todas as redes do caminho. Poderia pescar, se quisesse…

A cada passo pelas ruas que davam ao sambódromo eu ia me especializando em me enroscar e aquela situação ia me dando calafrios. Há, ainda, um detalhe importante: era impossível me desvencilhar sozinho quando enredava algum colega de profissão, ou seja, outro pescador. Era necessária a presença da “mãe d’água” (mulheres da nossa ala) para fazer o papel da “desatadora dos nós”.

Rojões ao céu e o grito de guerra a ecoar quando ouvi a sirene ensurdecedora de uma ambulância. Imediatamente me desconcentrei e, obviamente, pesquei meu vizinho.

A ala toda se abrindo para ambulância passar e de repente percebi que todos os pescadores e mães d’águas miravam para a minha direção. Eu espantado e enroscado não sabia o que fazer…

– Pô, Cara, não tá vendo a ambulância?

Eu estava, nada mais, nada menos, que em frente ao portão de saída, enroscado ao meu colega. Meio desajeitado, dei um sinal para que desse um passinho pra frente e, como num passo sincronizado de balé, fomos os dois pra direita e a ambulância seguiu no seu desespero rotineiro.

A coreografia montada sobre o samba-enredo determinava que em certo momento todos dessem um giro de trezentos e sessenta graus. Pois é, vocês já podem imaginar o que aconteceu na hora do giro na ala dos pescadores… Isso mesmo, foi bolinha de isopor pra todo lado.

Que sufoco!

Além de tudo, eu estava numa das extremidades da ala e não parava de ser chamada a minha atenção por uma das dirigentes da ala.

– Você enroscou porque não prestou a atenção e está muito perto do seu companheiro!

– Não saia da ponta, não pode haver buracos na ala!

– Cante o samba, vamos!!!

Em meio a tanto estresse eu sambei, cantei, enrosquei, pesquei e me diverti.

O único problema é que a escola não ganhou o título porque perdeu 0,25 pontos na harmonia. A pergunta que não quer calar:

 

– Será que a minha pescaria contribuiu para a perda?



Escrito por Vlad Suato às 17h12
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Presente ou ausente

Ao voltar das férias, nem sequer me lembro da senha de acesso do sistema informatizado. Era nesse clima de completa alienação que, de longe, dei uma olhada para minha mesa e vi uma caixa de presente enorme. Pense numa caixa grande...

Naquele momento, preciso socorrer-me de clichês, um filme passou pela minha cabeça. Eu havia pedido tantos presentes de aniversário no último ano, que a minha memória passou a fazer o check list de tudo que eu havia sugerido e que talvez pudesse ser daquele tamanho, mas a coisa não tava muito boa; se não conseguia lembrar da senha, quem diria dos presentes.

Pelo tamanho da caixa, poderia ser até um cortador de grama, já que ultimamente resolvi adentrar nessa seara. O lema para 2015 será “mexa-se”. Isto mesmo, sendo inevitáveis os exercícios físicos pós quarenta anos, vamos ao que se tem de fazer aqui em casa mesmo, pra ver se me livro da esteira.

Não pude abrir naquele momento o presente porque, obviamente, colocaram o embrulho sobre a minha mesa quando eu estava em reunião e ao sair da reunião estava comprometido com a turma do almoço e não pude escapulir para a abertura apoteótica da caixa.

Pequenas garfadas de arroz integral com míseros caroços de feijão, por causa do regime de começo de ano, e a cabeça a martelar: que teria na caixa?

Tcham, tcham, tcham, hora da caixa.

De volta, todos se reuniram, uns quinze indivíduos, para apreciarem o momento festivo de se abrir o presente dos coleguinhas de trabalho. Lá vou eu, com toda a sutileza de dinossauro, a abrir aquele mimo.

“Não precisava!”

“Como eles gostam de mim!”

“Fiz amigos aqui no serviço.”

“Cala a boca e abre.”

Ao retirar o papel de presente, encontrei uma caixa de papelão hiper lacrada. Ao abrir um dos seus lados disseram:

- O presente está de cabeça para baixo!

Virei e começamos novamente aquela cena de suspense.

Ao abrir do outro lado percebi que dentro da caixa havia outra caixa, mas desta vez não era de papelão. Era uma caixa linda, bonita mesmo, tipo objeto de decoração.

- Ah! Pessoal, o presente é a caixa, adorei, é linda!

Silêncio sepulcral.

Não teve uma viva alma manifestando-se, o que levou este ser que escreve a imaginar:

“Nossa! Se a caixa é linda assim, imaginem o presente!”

Sendo o foco de todos, ansiosíssimo, abri a caixa e o que encontrei?

Ausência. Vácuo. Espaço.

- Bem que eu disse, era a caixa. Muito obrigado, adorei, vamos trabalhar.

Adorei o “baú” que compraram numa loja badaladíssima aqui em Campinas, mas que mico paguei.

Fica a dica, ao dar um baú, preparem o terreno.

 

Até o próximo aniversário.



Escrito por Vlad Suato às 17h40
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PODOCARPUS

 

 

Vizinhos de ambos os lados têm uma planta esbelta e alta, como seria o sonho de todos caso pensássemos no corpinho... É óbvio que também quero, tanto a planta quanto o corpinho. Já que mexer na estatura é meio difícil nesta altura do campeonato, melhor correr atrás do arbusto.

Passei a procurar em sites de paisagismo e, depois de anos de pesquisa, descobri que a planta tem um nome simples: podocarpus. O problema é que há dois tipos e aí foram mais cem anos, não tão sozinho, para descobrir qual seria aquela igual a do vizinho; ainda mais que a grama do maldito é bem mais verde e cuidada que a minha!

Feita a pesquisa criteriosa, fui às compras. Tarde de sol de apenas quarenta graus com sensação duzentos e quarenta, dirigi-me ao Ceasa. Acreditam que fui em busca de sementes? Achei que pudesse cultivar a planta com muito amor desde o nascedouro, para que ficasse melhor que a do habitante da casa ao lado. Ilusão.

Não encontrei as sementes, apenas mudas e, ressalte-se, caras mudas.

Depois de negociar por horas infindas com o vendedor que relatou naquele dia estar meio atrapalhado com números, cheguei a um bom desconto. Não titubeei, comprei. Ao sair da loja, assim previu o profeta vendedor: eu profetizo que essas plantas irão vingar...

Seria preciso muita reza mesmo. Vamos pra frente.

Variáveis do problema: sol, muito sol, calor demais e vinte mudas de podocarpus em torrão para que eu me tornasse o fiel jardineiro.

Encontrei uma colega de trabalho no Ceasa e ela, sem querer, tornou-se testemunha da compra de uma escavadeira. O que eu não sabia é que aquele equipamento era muito frágil para um solo tão duro. Disso resultou mãos ferradas e cheias de bolhas, mas o pior estaria por vir.

Vinte mudas para um espaço de seis metros e meio. A dificuldade inicial foi o cálculo da distância das manequins. Na passarela teria de colocar três mudas por metro, segundo orientação do comerciante que, repita-se, no dia não estava bem com as contas. A minha dúvida era: se são três, a primeira é no marco zero e a terceira no marco de um metro. No entanto, o seu trio sucessor começaria onde? No marco zero não dava mais... Vida dura. Não segui a orientação do vendedor, em vez disso, achei melhor basear-me no seu testemunho de vida: eu não meço, vou no olho mesmo... Lá fui eu, olho aberto e olho fechado, de perto e de longe, acertando aquele desfile de podocarpus ao lado do muro... Imediatamente do outro lado do muro estavam os imponentes podocarpus do vizinho: altos, fortes, esguios.

Começando.

Haja pedra no terreno, que dureza! Trinta centímentros de profundidade, diâmetro de também uns trinta centímetros e lá se foi a primeira muda. Outro desafio apresentava-se, a planta ficava meio torta. Como endireitar para que ficasse ereta como a do q u e r i d o vizinho? Vira pra lá, vira pra cá, consegui (mais ou menos).

Sete plantadas. Mãos estourando. Sol escaldando.

Vamos, isso é só o começo, persevere. Serão vinte mudas, conforme determinou o mercador de plantas. Eu repetia esse mantra...

Plunct, plact, zum: chafariz!

Isso mesmo, estourei o cano. Por que não contratei um jardineiro?

Fiquei meio desnorteado. Passo um, desligar o registro, mas e se não parar a água? Senti contrações.

Ufa! Deu certo, a água cessou.

Sem saber muito o que fazer naquela sexta-feira fatídica, em férias, resolvi seguir com a plantação.

Acabei de fazer o buraco daquela que teria a função de, com suas raízes, abraçar o cano, e prossegui.

Plantei a vigézima e o que percebo ao olhar para o monte das mudas do podocarpus? O negociante havia me dado uma muda a mais, ou seja, vinte e uma!!!!! Ele tinha avisado que não estava bom nas contas naquele dia... E agora?

Enquanto pensava, fui comprar emendas e cola para o cano, evidentemente com a ajuda de universitários...

Depois de uma tarde de conflitos com as plantas e com os encanamentos, rendi-me e chamei o encanador, não sem antes encaixar a derradeira muda naquele desfile clorofilado.

Enfileiradas, miradas para cima, verdes entusiasmadas, desviando de pedras e rodeadas de muito esperança, assim ficou minha plantação de podocarpus...

Talvez também a minha vida....

 



Escrito por Vlad Suato às 18h51
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Certos 41

Numa certa ilha, num certo final de ano com a mais certa das amigas. Eu esperava e ao esperar, percebi a presença de um texto sobre a vida ou sobre a morte, não sei... Li.

A vida poderia ser comparada a uma festa.  Empolga-se com os preparativos, veste-se lindamente e há a entrega ao deleite. Indo-se a euforia, com pés cansados, começa-se a recusar a contradança e, aos poucos, sem sapatos, quer-se ir pra casa, satisfeito e certo de que o fim é apenas mais uma parte daquele gozo oportuno...

Viver e o “viver final” pode ser assim, mas com quarenta e um há dúvida quanto ao sapato certo, à festa certa e à dança certa com a pessoa certa, para que algum dia, sem medo nem angústia, conclua-se que a festa cessou na hora certa.



Escrito por Vlad Suato às 22h58
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EM RECONSTRUCAO

EM RECONSTRUCAO, COMO EU.



Escrito por Vlad Suato às 20h59
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